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Já me fizeram essa pergunta uma vez, não soube responder. Todos os dias fazia a tal pergunta, para mim própria e a resposta nunca surgia. Passaram meses, anos, continuei a fazê-la, e não obtive resposta. Um dia, quando acordei, fui a janela, abri-a lentamente, senti logo uma brisa leve no meu rosto. Fiz novamente essa pergunta, a qual o meu coração reagiu. Reagiu impulsamente, como se estivesse a saltar, na tentativa de querer sair do meu peito. Toquei-lhe lentamente com a mão, e disse-lhe 'Desculpa, já vi que estás cansado dessa mesma pergunta, nunca mais a faço, prometo'. Ele acalmou, com o objectivo de me dar a entender que gostou da minha resposta, embora eu, não soubesse o havia de lhe dizer mais.
No dia seguinte, quando saí, vi um casal (eram namorados), demostravam ser muito felizes um com o outro. Penso que festejavam um ano de namoro, e ele tinha-lhe trazido uma aliança, queria-a como sua mulher, para o resto da sua vida. A rapariga viu-me a olhar para eles, sorriu-me em sinal de agradecimento. Por saber que existia alguém desconhecido a admirar o seu amor. A brisa do dia anterior tocou-me novamente no rosto, fiquei imóvel, o meu coração reagiu impulsamente de novo. Toquei-lhe e disse-lhe 'O que foi? Também viste o mesmo que eu?'. Ele acalmou, com o objectivo de me dar a entender que não tinha gostado do que ouvira.
Alguns dias depois, sentei-me perante o computador. Olhei-lhe, como se fosse a última vez. Como se fosse a última vez que aí iria estar, embora eu soubesse que na verdade teria mais oportunidades para o fazer. O meu coração estava triste, sentia-o, pelo menos fez-me sentir que sim. Toquei-lhe embora ele não quisesse e perguntei-lhe 'Achas que o amor é algo bonito? Achas que consegue preencher um enorme vazio e fazer-te feliz?'. Ele mantinha-se calmo, não respondia. Voltei a perguntar, na esperança que ele se agitasse 'Custa-te tanto responder-me a uma simples pergunta?', e ele nada. Desisti, jurei para mim mesma que nunca mais iria fazer tais perguntas.
Assisti a vários tipos de amor, ao dos meus pais, aos dos meus familiares, aos dos meus amigos, mas nunca tinha assistido a um meu. Mas um dia encontrei-o. No meio do nada, no meio de uma enorme multidão, num pequeno país. Encontrei-o, foi o que se destacou mais. Foi aquele que realmente, se calhar no fundo sentia que necessitava. Transmitiu-me logo no ínicio uma necessidade extrema. Uma necessidade de sentir, todos os dias, que precisava dele, e no fundo cheguei a perceber que precisava mesmo. Uma necessidade profunda, só por o ter encontrado. Encontrei-o. Sempre que podia revia-o, em camâra lenta, passo a passo, minuto a minuto, segundo a segundo. Encontrei-o, nos meus sonhos, no meu inconsciente. Encontrei-o simplesmente. De maneira calma, incompreenssível, mas encontrei-o.
Encontrei-o, no meio de tantos paragráfos, no meio de tantas vírgulas, no meio de tantos pontos e no meio de tantas perguntas. Decidi logo perguntar ao meu coração 'O que é o amor?' e ele não me respondia, embora eu soubesse que o tinha encontrado. Fiz-lhe novamente a mesma pergunta 'O que é o amor?, e ele não me respondia. Toquei-lhe já, com lágrimas nos olhos, e perguntei-lhe 'O amor é isto?', e ele não me respondia. Fiquei triste, aonde ele perguntou-me 'Porque choras?' e eu respondi 'Porque tu me estás a fazer chorar.', aonde ele perguntou-me novamente ' E porque que sorris?' e eu respondi 'Porque tu me fazes sorrir.', aonde ele novamente me tornou a perguntar'E porque que não estás a sorrir agora?', eu não lhe respondi, não tinha resposta, no fundo não sabia se a minha resposta o iria agradar ou não. Mas decidi perguntar-lhe 'O que é o amor?', e ele respondeu-me 'O amor é isto, o choro, o sorriso, a procura, a necessidade, a questão, mas no fundo, é aquilo que me completa, a outra metade do outro coração que hoje acabaste de encontrar.'





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