há uma incomodidade profunda quando a melancolia vem. não tem nada a haver com a saudade porque a saudade aquece-me ao refazer com a memória aquilo que vivi um dia.
acho que ainda hoje me aproximo um pouco do amor que me acode à memória o tempo em que te tinha a ti do meu lado: era tudo. sinto que te amaria na mesma se não tivesses um braço ou uma perna, desde que a tua cara transmitisse a mesma doçura, o mesmo fascínio, a mesma capacidade de fazer revelar o que há em mim de melhor, o mesmo gosto de te interrogar sobre o indizível do nós e do mundo.
hoje sinto foi por tua causa que aprendi a amar o próximo porque me acordas-te para a existencia dos outros, que eu passei a amar com o amor que transbordavas daquele que sentias.
quando o caminho atrás de ti era mais comprido do que aquele que tinhas à tua frente, vias uma coisa que nunca tinhas visto antes: o caminho que tinas percorrido não era a direito mas sim cheio de encruzilhadas, a cada passo havia uma seta que apontava para uma direcção diferente; dali partia um atalho, de acolá um carreiro cheio de ervas que se perdia nos bosques. alguns desses desvios fizeste-os sem te aperceberes, outros nem sequer os viste; não sabes se os que não fizeste te levariam a um lugar melhor ou pior; não sabes, mas sentes pena. podias fazer uma coisa e não fizeste, voltaste para trás em vez de seguir em frente.
