quarta-feira, 4 de julho de 2012

(...)


Lembras-te daquele dia? Eu lembro-me como se fosse ontem. O nosso primeiro dia, que de mês em mês eu festejo, sozinha. O primeiro dia significou muito mais do que este ano e dois meses que iriamos festejar juntos. É verdade, já passou tanto tempo e mesmo assim eu escrevo-te. Escrevo-te na esperança de que um dia venhas a ler, mas sei que não o farás. Isto será o meu diário oculto, a minha folha de papel escrita a tinta preta para ti, Um dia talvez, te mostre, pequenos textos, pequenas coisas. Mas.. sinto que nunca sentiras necessidade de as ler, não precisas. Escrevo-te pelo simples facto de saber que estás longe, preciso de deitar tudo cá para fora. Antes que rebente de mágoa e dor. Não sei porque que ainda me sinto tão apegada a ti, ao teu interior, ao nosso sentimento. É que tudo desapareceu sabes? As palavras foram levadas com o vento, as atitudes permaneceram.
E mesmo assim, depois de tanto tempo aqui estou eu. Diante de ti, da tua imagem. Diante daquela personagem que eu idealizei sozinha, tentei mudar-te de alguma forma, de uma forma brusca, irreparável, tal como a perda que tive para contigo. Mas.. essa mudança não passou apenas do meu delírio, do meu fascinio, da minha capacidade de sonhar que poderias ser diferente. Ninguém te pode mudar, nem mesmo tu tens essa força. E culpo-me por isso. Sinto-me culpada por nunca ter feito nada para te levar para um bom caminho, não é que tivesse que me importar, mas no fundo queria. Queria-te tanto ver um outro homem, um homem totalmente modificado. Um homem que encarava com orgulho, não com nojo. Apesar de saber que não tenho o poder sobre ninguém desejava isso melhor que ninguém.
É triste, olhar para trás e ver que ficas-te lá, para sempre. Que ficaste, e pediste-me para ficar e eu só te obedeci. Que ficaste e eu não corri atrás. Tu conheces-me. Talvez melhor que ninguém. Talvez melhor do que eu própria. E sabias perfeitamente que se ficasses eu não te pederia para vir comigo. Sabias que se ficasses eu não te imploraria para me aceitares de volta. Sabias isso tudo. Tocaste nos meus pontos cardeais da minha insegurança e mais insegura a tornaste.
Se sou a pessoa que sou hoje contigo, com os outros foi graças a ti. Não, não te culpo. Até te agradeço. Tornaste-me forte, fizeste de mim uma mulher. Uma mulher que hoje sorri e logo a noite chora, mas isso ninguém precisa de saber.
E assim vou festejando o nosso aniversário, todos os meses, escrevendo-te mais um pouco, despedindo-me cada vez mais e mais da metade de mim que levaste contigo. Feliz aniversário, o nosso 4 é hoje. Amo-te

domingo, 30 de outubro de 2011

is difficult

lembras-te da nossa última discussão? pela primeira vez, perante as tuas observações eu fiquei sem fôlego, parecia-me que tinha um monstro junto de mim; observando-te pelo canto do olho, perguntava a mim mesma deonde terias tu saído, se era isso que eu te tinha ensinado com o meu exemplo.
não te queria responder, mas mesmo assim pressentia que o tempo do diálogo terminara, que, fosse o que fosse que eu dissesse, só poderia haver discussão. por um lado, tinha medo da minha fragilidade, da inútil perda de forças, por outro, pressentia que o que tu querias era precisamente o conflito aberto, que a seguir ao primeiro haveriam outros, cada vez mais, cada vez mais violentos. sob as tuas palavras sentia fervilhar a energia arrogante, prestes a explodir e contida a custo; a forma como eu limava as arestas, a minha indiferença fingida perante os teus ataques obrigaram-te a procurar outros caminhos.
então ameaçaste-me de te ires embora, de desapareceres da minha vida sem dar mais notícias. se calhar estavas à espera do desespero, das súplicas húmildes de uma estúpida. quando não te disse nada sobre o assunto, ou seja, quando indirectamente concordei com a tua decisão, começaste a hesitar, parecias uma serpente que, de cabeça bruscamente erguida, goelas aberta e pronta a ferir, deixa, de súbito, de ver a presa à sua frente. e começaste a pactuar, a fazer propostas diversas e vagas.
 se não fui a primeira a falar desse assunto, foi apenas por pudor e por uma boa dose de egoísmo. pudor, porque era inevitável que, ao falar de ti, tivesse que falar de mim, das minhas culpas verdadeiras ou presumiveis; egoísmo porque eu esperava que o meu amor fosse tão grande que cobrisse a falta do teu, que te impedisse de um dia eu perceber que nem ficas e que nem vais, tão simples quanto isto.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

over

como é possível, digo para comigo, que, de todas as coisas que vivemos juntos que seja este episódio (deixar-me partir) o primeiro que surge nas minhas recordações? hoje, dentro de mim ressou o provérbio " a lingua bate onde o dente dói." o que é que isso tem a ver, perguntarás tu. tem a ver, tem muito a ver. esse episódio vem-se muitas vezes à idéia porque é o único em que eu nunca tive a possibilidade de fazer uma mudança. dentro do meu coração podias fazer como aqueles pregos que alargam mal entram na parede: vão-se dilatando a pouco e pouco, conquistando um pouco mais de espaço. assim, ter-te-ias transformado num ponto sólido da minha vida, ainda. devias ter tido pulso para o fazer. quando disse "vou embora", tu não me ouviste, mas sentiste-o, nesse momento devias ter-me agarrado para ficar. faltava pouco, eu sentia-o. mas não o fizeste; por cobardia, preguiça e falso sentido de pudor, obedeceste a minha ordem. com essa decisão destroiste três vidas, a minha, a tua e a do nosso amor.
mas sabes, na realidade, as coisas nunca são assim tão simples, nunca são pretas ou brancas, cada cor tem em si muitos matizes diferentes. as onze horas em ponto, em qualquer lugar onde me encontre e seja em que situação for, sairei e, no céu procurarei Sírio. tu farás a mesma coisa e assim os nossos pensamentos, mesmo que estejamos muito longe, mesmo que não nos tenhamos visto há muito tempo e ignoremos tudo um do outro, encontrar-se-ão lá em cima e estarão juntos, prometo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

only

não te conheço, sinto que nunca te conheci. mas conheço o teu feitio, o teu modo de ser, a tua maneira de falar, o brilho do teu olhar, as caretas que fazes quando algo não corre como tu queres, o teu toque, o teu perfume, tudo. essas pequenas coisas nunca poderás dizer que não conheço. entendes este sentimento? eu não. fazes-me sentir demasiado confusa, demasiado exposta, demasiado emocional, mas mesmo assim feliz.
fazes-me chorar, mas rir depois de cada lágrima.
preciso de ti, preciso da outra metade de mim que levaste contigo, da tua voz, do teu susurrar no meu ouvido, do teu toque, do teu beijo, de tudo o que é teu. há uma certa crueldade em isto tudo, não achas? as horas da manhã são as mais terríveis , não há nada que me possa ajudar a distrair. estou por ali e sabe-se que os pensamentos só podem andar para trás. preciso de ti apenas, com ou sem o coração partido.

domingo, 16 de outubro de 2011

last goodbye

não quero que entres neste texto. não tens uma vida que eu possa compreender. alguns momentos no teu pensamento nunca serão uma vida. não me faças odiar a minha escrita de forma a humanizar o tempo. não entres nesse lugar inferior onde sabes que estão guardados todos os sentimentos que tu utilizas para te auto-destruires.
quero que vivas fora do teu ódio. quero que te ames longe do teu amor. não escrevo a tua história porque sei que és um final infeliz. a tua força é excessiva para as minhas qualidades humanas. nem as minhas palavras servirão de pronto a vestir para as tuas carências mas terei sempre o teu nome tauado nos meus braços.
se o amor não fosse tão infantil, se eu própria não fosse a criança que tu transportavas na tua forma de amar, então tudo o que eu te escrevo seria desumano. prefiro que seja o teu silêncio a derrubar todas as palavras que nunca te escreverei. não posso escrever-te dentro desta escrita. dizia-te na força de existir que me sentia uma mulher forte, e enganei-me. mas tu acompanhavas esse meu choro na impossibilidade de me compreender.
as palavras nunca serão a verdade daquilo que sentimos. a verdade é uma linguagem do silêncio. tu nunca tiveste medo do silêncio, porque o silêncio é o teu acto de viver, o meu não. eu vivo sem o silêncio, sem ti agora vivo com palavras a mais, com coisas por contar.

outflow


um dia vais aprender que o mundo no qual vives não é aquele no qual um dia tu sonhavas viver. um dia vais aprender que nem todos aqueles que pensas que são teus amigos são teus amigos de verdade. um dia vais aprender que nem metade daquelas pessoas que tu mais confiavas te vão ser fieis a linda pessoa e maravilhosa que és, ou que pensas ser. um dia vais aprender que nem sempre podes ter altos, os baixos também existem. um dia vais aprender que as lágrimas no fundo são grandes sorrisos do teu pequeno coração. um dia vais aprender que a vida é feita de muitas coisas que te levam a cair, a desistir e lutar de novo. um dia vais aprender que o amor não existe, tu é que tentas fazer com que ele exista. um dia vais aprender que mesmo que acordes mal disposto tens que te levantar da cama e caminhar durante horas e horas. um dia vais aprender que a vida não faz sentido, tu é que pensas que o sentido é a vida. um dia vais aprender que os sonhos que tens hoje, serão pesadelos amanhã. um dia vais aprender que tens que ser fraco, mas ao mesmo tempo tão forte. um dia vais aprender que se cortares um pedaço da tua pele sem querer, a dor é igual a aquela que provocaste no coração de alguém. um dia vais aprender que chorar não resolve nada. um dia vais aprender que falar pouco é uma virtude. um dia vais aprender que colocares-te em primeiro lugar não é egoísmo. um dia vais aprender que para qualquer escolha se segue alguma consequência. um dia vais aprender que as vontades temporárias não valem a pena. um dia vais aprender que quem faz uma vez não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. um dia vais aprender que perdoar é nobre, esquecer é quase impossível. um dia vais aprender que quem te merece não te faz chorar. um dia vais aprender que quem gosta de ti cuida de ti até ao fim. um dia vais aprender que o que está no passado tem motivos para não fazer mais parte do teu presente. um dia vais aprender que não é preciso perder para aprender a dar valor. um dia vais aprender que e os amigos ainda se contam pelos dedos. um dia vais aprender que aos poucos e poucos percebes o que vale a pena, o que se deve guardar para o resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. um dia vais aprender que como não há como esconder a verdade, nem há como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas os seus resultados nem sempre serão imediatos. por isso, vais sempre aprendendo, como eu aprendi. um dia, sim.




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